domingo, 29 de janeiro de 2012

Amor De Mãe É Relativo

Estava eu em pleno domingão pela manhã emocionalmente sozinha e sem o menor saco para estudar para OAB, atividade que tem me deixado mentalmente esgotada,  quando decidi entrar em uma dessas salas de bate-papo da vida; a fim de  encontrar alguém com um papo interessante o suficiente para me distrair e me tirar do meu marasmo existencial.




Entrei na sala e eis que uma garota vem falar comigo. De início, pensei que ela fosse lésbica. Mas ela logo tratou de me informar que não se tratava disso. Disse que precisava falar com alguém, que estava tendo problemas com a menstruação e me perguntou se eu poderia adcioná-la no endereço do namorado dela. Achei tudo muito estranho. Porém, mesmo assim, resolvi atender ao pedido movida por uma intensa curiosidade de saber o que se passava com a referida garota misturado a um forte desejo de ajudar dentro do que me fosse possível.

Já em meu msn, a mencionada garota me informa que o namorado dela deseja falar comigo. Começo, então, a falar com o rapaz, que me informa que ela fez um teste de gravidez comprado em farmácia e o teste havia dado positivo.  Menciona ainda que ambos estão desesperados, principalmente a garota que, no auge dos seus 23 anos, não deseja abdicar de seus planos para se dedicar à maternidade e arremata me perguntando se eu não conhecia algum método abortivo, pedindo, não sei se de maneira apelativa ou desesperada, para que eu me pusesse no lugar da namorada dele.

Claro que eu conheço um método clandestino comprado, no mercado negro de medicamentos, que poderia "resolver o problema" da moça e de seu namorado. Mas sou contra o aborto, no caso em questão, e me sentiria quase uma criminosa se dissesse qual  medicamento seria mais adequado para "socorrê-la" nessa situação.

A verdade foi que acabei dizendo ao rapaz que a situação dele e da namorada não me comovia nem um pouco porque se duas pessoas que, diga-se de passagem, são maiories de idade se consideram maduras o suficiente para transar, presume-se que, também, tenham assumido todos os ônus e riscos implícitos advindos de tal escolha e, por mais que tentasse, não consegui, em momento algum, por-me no lugar dela, mas, sim, no do bebê, que é o único inocente nessa história, ficando sempre em segundo plano. Em segundo não! Em último!

Acho, no mínimo, uma atitude egoísta de qualquer mulher que, tendo deixado de se prevenir adequadamente, tome a decisão de tirar a vida de um filho, mesmo que seja ainda na fase intra-uterina, por não ter coragem de abdicar de seus planos. Sempre ouvimos dizer e todos concordamos que a vida é o bem maior de qualquer ser . Sendo assim, por que algumas mulheres, quando estão diante de uma gravidez indesejada, arvoram-se no " direito" de sacrificar a vida de seus próprios filhos para não perder uma bolsa de estudos em Havard, uma promoção na empresa em que trabalham ou qualquer outro objetivo que se torne mais viável sem uma gravidez? Que amor é esse que é capaz de sacrificar um bem primário, a vida, e, por isso, anterior a qualquer outro, por bens secundários, conquistas materiais?

Não me venham aqui os defensores do aborto defendê-lo através da máxima de que " ninguém sabe quando se tem início a vida" porque, a meu ver, afirmar isso é apenas mais um motivo para se inibir determinadas práticas abortivas, pois se alguém afirma que ninguém sabe quando a vida tem início, está, a contrario sensu, afirmando categoricamente que a vida pode ter início em qualquer momento da gravidez; já que não há um consenso de quando ela se inicia. Logo, não há porque suavizar o aborto, torná-lo menos mesquinho, menos tacanho sob a égide de tal máxima.

São nesses momentos que me vem à tona toda a farsa embutida na máxima apregoada nas sociedades do mundo inteiro de que " amor só de mãe". Isso é, nitidamente, uma mentira e das mais deslavadas porque se assim fosse, bastaria uma mulher está grávida para que todo esse amor logo aflorasse. Mas ao que me parece, esse amor só é capaz de desabrochar em situações plenamente favoráveis à mãe, ou seja, quando gozam do apoio do pai da criança, quando estão financeiramente estabilizadas e quando ter um filho for, realmente, o plano. Esses três fatores parecem ser os condicionantes para que a maioria das mulheres se sintam capazes de amar seus filhos a ponto de permitir que venham ao mundo. Para mim, fica mais do que claro  que, de incondicional, amor de mãe não tem nada.

A meu ver, em casos como esses, o aborto se afeiçoa tão mesquinho que a mulher não se digna nem a passar nove meses grávidas e entregar à criança para ser adotada por alguém que tenha tanto condições financeiras como psicológicas para cuidar de uma criança. Sim, porque importante para criança não é ser criada pelos pais biológicos e sim por alguém que tenha estrutura emocional e financeira para  dar a ela toda a assistência que até por mecanismos legais lhe está garantida.

Logo, observa-se que o aborto não é a melhor saída para que uma mulher não veja seus planos frustrados, pois existe um meio legal e digno para " se livrar do problema".

Depois de toda a minha pregação anti-aborto, o rapaz me confessou que ele quer que a namorada tenha esse filho, mas que estará disposto a apoiá-la em qualquer decisão. Bem, eu, até hoje, não consegui entender porque sempre que a namorada quer abortar e o rapaz não concorda, ele sempre vem com esse discurso de " apoiar a namorada, independente da atitude que ela tomar", ou seja, incondicionalmente (rsrsrsrs) como se só porque o bebê está preso ao corpo dela, essa decisão coubesse somente a ela, relegando sua própria opinião ao um mero palpite. Os rapazes parece que se sentem menos cafajestes quando deixam que a namora decida isso sozinha, restando-lhes, tão somente, apoiar a namorada incondicionalmente. Que prova de amor! rsrsrs

Eu penso que a decisão deva ser dos dois sem esse permissivo para a omissão de " apoiar independentemente da decisão que ela tomar". Afinal, ele, também, é pai da criança e teve sua contribuição para o ocorrido. Sendo assim, tem direito  legítimo de opinar se concorda ou não com um possível aborto. O que me parece é que o homem se sente impotente em situações como essas porque a criança está presa ao corpo da mulher, ficando, nessa conjuntura, em maior vantagem sobre ele.

O fato de o bebê se encontrar alojado ao corpo da parceira não outorga mais direito a ela em, absolutamente, nada para querer decidir sozinha se quer abortar ou não porque isso é apenas uma questão biológica, já que só a mulher possui uma estrutura orgânica para suportar uma gravidez. Mas o homem pode e deve se sentir no direito de resistir a pretensão da parceira de abortar e não passar por cima do seu próprio desejo para proteger a parceira como prova de amor.


6 comentários:

Marcelo Brauner disse...

o fato é que ja vi mtas pessoas cometerem atos de tremenda irresponsabilidade, pensando em 3 ou 4 minutos de prazer
transar é bom? é , mas implica em sérias responsabilidades

Big Lui disse...

Gostei de sua postagem muito boa. Quando tiver tempo escreverei um comentário a respeito.

Se a primeira foi assim, imagino como será as próximas, he, he, he... abraços!!

Pergunte a uma mulher disse...

Fico muito feliz pelo seu comentário

espero que você volte sempre no blog e, sempre que precisar mande suas perguntas!

serão todas respondidas anonimamente!
abração!

Victor Von Serran disse...

Acho que o aborto, só no caso de estupro mesmo, em outra circunstancia não acho legal.
Porém isso é assunto pra deitar e pensar durante muito tempo. Abraço e valeu a visita !

Já participa da nossa blogosfera no face ?

http://www.facebook.com/groups/274247739286217/

Pergunte a uma mulher disse...

eu só concordo com o aborto em caso de estupro. Transar é bom, mas assumir os contras ninguem quer..

Lilian Cunha disse...

No caso de estupro, acho q o aborto é algo que fique realmente a critério da mulher e que ela não deva ser penalizada por suas decisões, ou estaríamos penalizando também a criança. Mas no caso de criaturas conscientes do que fazem, que sabem procurar métodos de abortar e da mesma forma poderiam buscar meios de prevenção... Isso é fugir da responsabilidade de seus atos. É vergonhoso e patético. Irresponsável, essa é a palavra.

Mto bom o teu post.

Acabei entrando meio pra te falar que respondi teu comentário lá no meu sobre o rei Davi, mas acabei lendo tbm um bom texto. Depois vê lá a resposta, ok?

;)

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